As empresas de estacionamento precisam firmar alianças estratégicas com os players da nova economia.

 

Não é apenas por causa da pandemia que nos, empresas de estacionamento, vemos forçados à transformação. Isso é fundamental em todos os negócios, e a atual crise apenas acelerou as mudanças e nos levou a pensar em novas possibilidades e modalidades de serviço

E não é diferente com os estacionamentos, setor que, em 2019, movimentou cerca de R$ 15 bilhões no Brasil. Somadas as unidades dos maiores players do mercado, estima-se que o Brasil tenha cerca de 3 milhões de vagas.

Os estacionamentos são parte fundamental do ecossistema de mobilidade urbana, e essa relevância será ainda maior quando as pessoas usarem seus carros para se deslocar para escolas e universidades, shoppings, aeroportos e restaurantes, por exemplo.

Uma parte importante da experiência dos clientes desses serviços dependerá do estacionamento, como facilidade para encontrar vaga, processos ágeis de entrada e saída, ampla oferta de opções de pagamento e respeito ao distanciamento social, entre outras.

 

APOIO À RETOMADA CULTURAL

Com isso, a adoção de inovações tecnológicas precisou ser acelerada, entre elas emissão automática de tíquete sem precisar apertar o botão na cancela, disponibilidade de pagamento por aproximação (sem digitação de senha na máquina) e acessos por tags, QR Codes e leitura de placas para estabelecer a cobrança setorizada, em que o usuário é cobrado de acordo com o local onde estacionou o carro.

Ou seja, quanto mais distante das portas de acesso ao estabelecimento, menor o valor a ser pago. Basta estacionar na área desejada e o sistema indica a tarifa a ser paga.

Mas nem só de vagas para carros vão viver os estacionamentos. Esses espaços já começaram a ser utilizados como opção de entretenimento seguro, como a exibição de sessões de cinema em sistema drive-in, que voltaram a fazer sucesso no Brasil e em vários países do mundo.

Além de cinema, peças de teatro, shows e tantas outras modalidades de eventos já começam a entrar nas agendas de atividades a serem realizadas de forma alternativa. Esse modelo é apenas uma das opções para gerar novas receitas aos estacionamentos, além de ser uma forma de apoiar a retomada da vida cultura no Brasil pós-pandemia.

 

COZINHA DE RESTAURANTES 

Outra tendência para maximizar o aproveitamento de espaços ociosos nos estacionamentos é a instalação das dark kitchens – cozinhas dedicadas exclusivamente ao preparo de pratos para entrega. Esse formato permite que uma grande grife gastronômica de São Paulo, por exemplo, consiga levar seu menu a qualquer canto do País.

Do ponto de vista econômico, a Dark Kitchen significa um ótimo custo-benefício para restaurantes – que investem relativamente pouco e ganham em escala e alcance – e administradores dos estacionamentos, que passam a ter mais receita com a locação do espaço.

Vale destacar que, em 2019, as plataformas de Delivery de alimentos movimentaram R$ 11 bilhões no País, segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

As empresas de estacionamento precisam, desde já, firmar alianças estratégicas com os players da nova economia, como empresas de transporte por aplicativo, de logística, de varejo, de compartilhamento de patinetes elétricos e bicicletas, além de serviços automotivos.

Essas alianças trazem boas opções para rentabilizar os espaços nos estacionamentos com a instalação de estruturas de pick-up points de passageiros de carros de aplicativos, pontos de recarga de patinetes elétricos ou pop-up stores – modelo de loja temporária aberta pelas marcas com foco em campanhas pontuais.

Além de incrementar a receita, essa ocupação inteligente das áreas reforça a posição do estacionamento como hub de mobilidade urbana e de serviços compartilhados.

Vivemos um período inédito para nossa geração. Manter uma empresa operando pede equilíbrio, mas também uma boa dose de ousadia para romper com os modelos pré-existentes e explorar novas possibilidades. O futuro do setor de estacionamentos é desafiador, mas, com criatividade e coragem para inovar, as empresas do setor terão vida longa.

 

Marcelo Nunes.

CEO do Grupo PareBem.